Qualidade de Vida

10.02.2011 - Ser solidário

Pequenos gestos que mudam nossas vidas

Carolina Beu

Ajudar o próximo sem esperar recompensas. Embora o conceito seja simples e intrínseco à nossa existência, nem sempre é fácil abandonar o anseio por reconhecimento quando se trata de promover o amparo ao outro. Por definição, a palavra ‘solidariedade’ indica o compromisso estabelecido entre as pessoas para a cooperação mútua e são nas pequenas atitudes do dia-a-dia que temos a oportunidade efetiva de exercê-la.

“Se as pessoas pensassem um pouco mais umas nas outras, certamente o mundo seria menos egoísta”, afirma Márcia de Castro Lopes, autora de Solidariedade, uma grande palavra grande (Ed. LGE, 2009). Em um exemplo nítido de como podemos reverter situações de tragédias em inspiração para as pessoas, Márcia resolveu abordar o tema ‘solidariedade’ há seis anos, quando seu filho mais novo foi baleado ao tentar salvar uma senhora de 89 anos que estava sendo assaltada.

“Sempre digo que Luiz Fernando morreu de solidariedade”, afirma Márcia. A autora conta que embora ninguém esteja preparado para enfrentar uma perda dessas, foi diante da última atitude de seu filho, um jovem engajado em práticas solidárias, que encontrou forças para propagar o legado de amor ao próximo. “Solidariedade não é uma palavra grande apenas na aparência. Significa sentir o que o outro sente, se colocar no lugar dele e fazer algo para que sua vida seja mais fácil”.

Segundo a autora, a iniciativa de escrever um livro (que é voltado para o público infantil) também foi motivada pela intenção de impedir que a história de seu filho apenas entrasse para as estatísticas de violência e se perdesse. “Sei que nada o fará voltar, mas essa foi a maneira que encontrei de preencher parte do vazio que ficou ou, como chamo, essa presença constante da ausência”.

Hoje, Márcia promove campanhas de arrecadação e realiza palestras sobre o tema da solidariedade em empresas e universidades. “As grandes mobilizações são eventuais, mas a vida é feita de pequenos gestos”, resume sua atuação, ressaltando que observar o nosso desempenho no dia-a-dia já é um grande feito, pois essa atitude nos ensina a olhar o outro e a buscar a melhor maneira de colaborar sempre, sem banalizar o sofrimento alheio.

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Abilio Diniz
m.uol.com.br