Qualidade de Vida

10.06.2011 - Timidez não é defeito

O segredo é aprender a conviver com ela

Mariana Teodoro

Retraído, desajeitado com as garotas e sem muitos amigos, o jovem Peter Parker, ao ser picado por uma aranha, se torna um dos super-heróis mais famosos da atualidade. Embora a história do Homem-Aranha seja apenas ficção, a hipótese de transformar um cara introvertido num sujeito corajoso e popular mexe com o imaginário das pessoas que, na vida real, também sofrem por serem tímidas.

Considerada um traço da personalidade, às vezes acentuado ao longo da vida, a timidez torna-se um problema quando o indivíduo passa a evitar interações sociais ou sofre grande desconforto e ansiedade nessas situações. “O tímido pode deixar de fazer ou falar coisas que gostaria por vergonha da opinião dos outros. Por isso, ele tem mais dificuldade na hora da paquera ou de conversar com um desconhecido”, afirma a psicóloga Kelen Pizol.

E apesar de atrapalhar as relações sociais, a timidez no ambiente corporativo é um dos fatores que mais levam as pessoas a procurarem ajuda profissional. “Os tímidos se sentem pressionados, mais expostos e cobrados a mostrar eficiência. E eles percebem que de fato estão sendo avaliados”, afirma a psicoterapeuta Luzia Winandy.

Mas mesmo com todas as dificuldades, é possível superar os obstáculos impostos pela timidez sem ter que se transformar em um super-herói. “A melhor maneira de vencer a timidez é aceitá-la. Não no sentido de desistir de fazer algo por ser retraído, e sim de enfrentar a situação da melhor maneira, sem criar expectativas sobre si mesmo”, diz Luzia. A especialista lembra que ao aceitar a situação, o tímido cobra menos de si mesmo e se permite errar mais sem temer a opinião alheia. “Ele não deve entrar em um círculo vicioso de sofrimento antecipatório na tentativa de prever situações para não cometer falhas”, recomenda.

Kelen também sugere às pessoas retraídas que não vejam a timidez como um defeito.  “Não deixem de fazer ou dizer o que gostariam por medo da rejeição dos outros”. Para ela, o tímido fala menos por impulso, é mais comedido e, assim, evita menos ofensas. “Isso pode ser positivo tanto na vida pessoal como na profissional”. A psicóloga ressalta ainda que timidez não é sinônimo de doença e, portanto, nem sempre é necessário tratamento. “Apenas em casos de introversão exacerbada, as pesquisas sugerem como tratamento a terapia cognitiva comportamental e, em graus mais elevados, o uso de medicação”, afirma.

Segundo Luzia, para o tímido que não consegue enfrentar as situações sozinho, a psicoterapia pode ajudar a rever os principais sentimentos negativos e ideias equivocadas que ele formulou ao longo da vida. “É preciso desmistificar as interpretações erradas de seus pensamentos sobre si mesmo e trabalhar com a elevação da autoestima”, diz.

Além de assumir a própria personalidade, outra recomendação é aproveitar os pontos positivos da timidez. Para a psicóloga Anna Hirsch Burg, nem todas as pessoas introvertidas têm problemas em suas relações amorosas ou sociais. “Em função de ser reservado, muitas vezes, o tímido é visto como alguém confiável, além de bom ouvinte”. Já no trabalho, ela explica que os mais recatados ganham pontos por passar a impressão de serem mais inteligentes, sinceros e fiéis. “Quando ele aceita sua singularidade e aproveita o lado bom da timidez, passa a ser mais feliz”, conclui.

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Abilio Diniz
m.uol.com.br