Qualidade de Vida

29.08.2014 - Manias têm limite

Saiba quando o hábito precisa ser tratado

Nancy Campos

Todo mundo conhece alguém – ou se identifica – quando o assunto é mania: seja de organização, de limpeza, de alinhar objetos ou outras mais extravagantes. Mas é importante diferenciar hábitos e manias, segundo a psiquiatra Roseli Gedanke Shavitt, do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas de São Paulo (SP).

“Podemos encontrar algum tipo de mania em aproximadamente 20% das pessoas. Enquanto forem hábitos ou rotinas que não tomam tempo, não interferem a rotina normal e não trazem incômodo para a pessoa como, por exemplo, levar um copo com água para o quarto antes de dormir sempre na mesma quantidade ou organizar o guarda-roupa por cor ou pelo mesmo lado dos cabides, não há motivo para preocupação”, afirma.

Quando essas manias passam a tomar mais tempo do que se gostaria, afetando a sua vida profissional, familiar ou social, e quando não se consegue controlar esses comportamentos, sofrendo por causa disso, é hora procurar a ajuda de um profissional.

Isso porque, o que conhecemos popularmente como manias, são chamadas de compulsões no TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), como explica Roseli. “São comportamentos repetitivos, segundo certas regras e, em geral, feitos para aliviar um estado de ansiedade ou desconforto”, descreve. “Eles surgem, em geral, como resposta às obsessões, que são pensamentos, medos, preocupações ou imagens repetitivas”, acrescenta.

Segundo a psiquiatra, as compulsões mais comuns estão relacionadas ao medo de causar algum dano a alguém, que levam às verificações excessivas do fogão, torneiras, portas, chave do gás e aparelhos elétricos. Outras estão ligadas ao medo de contaminação por germes ou sujeira, ou seja, as compulsões de limpeza e lavagem. Ainda entre as mais frequentes estão as geradas pela necessidade de ordem e simetria e os rituais de contar. 

Medicamentos e psicoterapias específicas podem ajudar o indivíduo a ter controle sobre esses comportamentos repetitivos, segundo a especialista. A abordagem terapêutica envolve os familiares. Afinal, “a atitude dos familiares e amigos pode tanto contribuir para a melhora da pessoa que tem os sintomas quanto para perpetuar a doença”, observa.

Vale lembrar que prevenir é sempre o melhor caminho, considerando-se que o problema se manifesta ainda na infância, em meninos, e na adolescência, em meninas. Além disso, filhos de portadores do transtorno têm 10% a mais de chance de apresentar o TOC do que os filhos de não portadores, segundo a especialista. “É importante ficar atento”,  conclui.
 

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Abilio Diniz
m.uol.com.br