Qualidade de Vida

01.09.2011 - O desafio da corrida

Você também pode se tornar um corredor

Mariana Teodoro

Despreparo físico. Falta de tempo. Preguiça. Qual desculpa você daria para fugir de uma corrida no parque? Se você ainda resiste em começar a correr, saiba que esse exercício, quando feito com segurança, é um dos mais eficientes e prazerosos que existe. “A corrida é uma atividade de baixo custo financeiro que traz alto gasto calórico, ganho de condicionamento físico, perda de gordura corporal e, principalmente, previne doenças”, diz o educador físico e diretor da DLB Assessoria Esportiva, Diego de Barros.

Além de favorecer o corpo, o efeito benéfico da corrida se estende também à vida pessoal e profissional. “Temos muitos desafios, metas e pressão. Com a corrida, o corpo fica mais equilibrado e as chances de cometer acertos durante a execução de tarefas são muito maiores”, afirma o coordenador do Grupo Pão de Açúcar Clube, Márcio Capoano.

Para quem nunca experimentou ou não levou a sério um treinamento de corrida, vale a pena tentar. Mas, antes de calçar o tênis, é preciso se preparar. De acordo com o especialista em medicina desportiva, Dr. Ari Zekcer, o primeiro passo é visitar um cardiologista para realizar o exame de ergoespirometria. Esse teste avalia a condição clínica do praticante e serve de base para orientação dos treinamentos. “Também é recomendável consultar um ortopedista para obter orientações sobre alongamento e postura”, acrescenta.   

Com a aprovação médica em mãos é hora de começar. Barros observa que no início deve se priorizar mais o tempo e a distância do que a intensidade ou a velocidade da corrida. “Um treino para iniciantes deve ser de intensidade moderada e sua duração deve variar de 30 a 45 minutos. Outra estratégia é alternar corrida e caminhada”.

No caso do iniciante ser sedentário, Capoano não tem dúvidas de que ele deve começar com a caminhada. O coordenador do GPA Clube afirma que com dedicação aos treinos é possível evoluir rapidamente para o trote (corrida leve) e, em seguida, chegar num nível mais avançado da corrida com distâncias de até 10 km. “É preciso ir devagar. Ouço muito: ‘corri até não agüentar mais’. Essa atitude é perigosa, pois pode provocar lesões ou até problemas mais sérios”.

De fato, os riscos para quem não respeita os próprios limites na corrida podem afetar tanto o coração como os joelhos, a coluna e outras musculaturas. “Uma sobrecarga de corrida pode, por exemplo, causar um infarto agudo ou, então, provocar lesões e roturas musculares de panturrilhas e músculos posteriores da coxa”, explica Zekcer.

Para evitar esses transtornos e, de quebra, obter melhores resultados na corrida o ideal é buscar a ajuda de um educador físico. “A orientação de um profissional otimiza o tempo e o treinamento, garantindo maior segurança”, diz Barros. Segundo o diretor da DLB, o apoio é importante, sobretudo, nos primeiros três meses, período que, geralmente, corresponde à fase de adaptação.

Com segurança e preparo, qualquer pessoa pode correr. O fundamental é ter força de vontade para abandonar o sedentarismo. “Moramos em nosso corpo e quando nos damos a oportunidade de deixá-lo em equilíbrio, a vida se torna mais prazerosa e, por incrível que pareça, conseguimos alcançar nossos objetivos”, diz Capoano. Então, que tal deixar as desculpas de lado e encaixar a corrida no seu dia-a-dia?

Dicas práticas para sua corrida:

- Vestuário: Tênis com a parte anterior larga e amortecedores no calcanhar são os mais indicados pelo Dr. Ari Zekcer. Camiseta e bermuda leves também podem ajudar no desempenho do corredor.

- Horário: Não há um horário específico para correr. Só é preciso prestar atenção ao sol nos períodos mais quentes como das 11h às 14h. Para Capoano, o melhor horário para quem tem disponibilidade é das 6h às 8h da manhã.

- Alimentação: Não se deve praticar nenhuma atividade física em jejum. Uma alimentação leve baseada em carboidratos antes de qualquer sessão de exercícios é o combustível para os músculos em atividade.

- Hidratação: A ingestão de líquidos é fundamental antes, durante e depois da corrida. Segundo Capoano, a desidratação leva à perda de rendimento e pode provocar cãibras e queda de pressão.

- Aquecimento: Antes de qualquer atividade física, o aquecimento é essencial para preparar as articulações e elevar a temperatura corporal. Capoano recomenda que sejam feitos 3 minutos de caminhada e 5 minutos de corrida leve para aquecer.

- Música: Embora muitos corredores sejam adeptos dos fones de ouvido, Barros alerta que ouvir música durante a prática pode ser perigoso, principalmente se você estiver na rua. “Muitos casos de atropelamento já aconteceram por este motivo. Acho que o bom senso e a segurança devem sempre prevalecer”, diz.

-Ar livre ou esteira: A esteira pode ser uma aliada na preparação do corredor em dias frios e chuvosos. Barros, porém observa que usar só a esteira pode acarretar em alguns prejuízos para o desempenho da corrida, como a qualidade da passada. Na esteira, o ponto fixo é o corredor (quem se move é o chão). Já na rua, o chão é o ponto fixo e o corredor se move. Esta mudança de ponto fixo prejudica quem está acostumado apenas com a esteira, principalmente, na fase de propulsão quando a exigência da musculatura posterior da coxa é muito grande. “A melhor alternativa é sempre variar o tipo de piso em que você corre”.

Se você gostou do texto, leia também:

Minha primeira vez:
http://abiliodiniz.uol.com.br/qualidade-de-vida/minha-primeira-vez.htm

Correr emagrece mais do que caminhar:
http://abiliodiniz.uol.com.br/qualidade-de-vida/correr-emagrece-mais-do-que-caminhar.htm

Andar ou correr:
http://abiliodiniz.uol.com.br/qualidade-de-vida/andar-ou-correr.htm 

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Abilio Diniz
m.uol.com.br